É, o tempo voa…

Já estamos em outubro. Que coisa, né? Parece que foi ontem que eu entrei pra Arquitetura. E isso foi em março de 2010! No momento, estou me encaminhando pro final desse quarto semestre de curso… E taaaaanta coisa aconteceu! Só essa semana eu já fui em 9 reuniões de trabalho, apresentei minha pesquisa sobre Geometria Fractal no Salão de Iniciação Científica da PUCRS, comecei o trabalho de campo no projeto Escola Sustentável, além de trabalhar em várias coisas e ir pra aula. Ufa! E ainda deu tempo de ir em 2 encontros com minhas queridas amigas hehe Mas é isso aí, quanto mais coisas a gente faz, mas coisas conseguimos fazer! Só posso dizer que estou muito feliz por estar envolvida em tantos projetos bacanas e conhecendo pessoas muuuuito incríveis!

Falando em pessoas incríveis, deixo aqui uma mensagem do Steve Jobs que foi uma mente brilhante e inspiradora:

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

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O Processo Criativo

Só tenho uma coisa a dizer: todo mundo tinha que fazer o curso sobre processo criativo com o Prof. Charles Watson. É uma oportunidade maravilhosa de repensar sobre a vida. E mudar o jeito de se pensar é uma das melhores coisas que tem.

Essas últimas semanas têm sido intensas, e fico muito feliz por isso. Trabalhar no que a gente gosta é algo mais do que gratificante. Acho que nem existe palavra pra descrever isso.

Vou agora curtir os últimos minutos do final de semana e deixar vocês com um vídeo muito bom sobre processo criativo:

 

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PICNIC 2011

O evento PICNIC, que acontece em Amsterdam, focou esse ano em Espaços Urbanos. Minha ex-colega de Box1824, a Mari Messias, foi lá conferir e está relatando tudo pra gente. Vou reproduzir um texto dela pro iG aí embaixo, mas, vocês podem ler resenhas de todos os dias do evento aqui: http://pontoeletronico.wordpress.com/

Melhor cidade é aquela em que pessoas fazem o extraordinário

Pesquisadora faz análise de evento na Holanda que discutiu temas como urbanismo e sociedade

Mari Messias, especial para o iG 16/09/2011 17:55

A edição deste ano do PICNIC foi focada em Espaços Urbanos. O PICNIC, pra quem não sabe, é um evento holandês que reúne realizadores e interessados do mundo inteiro para explorar novas ideias e soluções para desafios atuais, como este sobre pensar as cidades.

Uma coisa interessante do evento é a apresentação de ideias opostas, possivelmente para incitar o visitante a pensar e desenvolver seu próprio raciocínio sobre cada tema proposto. Uma contraposição que aconteceu durante todos os dias foram as smart cities, cidades planejadas para um rendimento maior em diversas áreas, e os aspectos orgânicos da vivência urbana.

 

Foto: Mari Messias

O evento aconteceu na Holanda entre os dias 14 e 16

 

Para gente como Maarten Hajer (Diretor da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda), por exemplo, deveríamos prestar mais atenção nos ambientes urbanos existentes porque, do contrário, eles poderão se transformar em grandes pesadelos.

Já Tim Campbell (Presidente do Conselho do Urban Age Institute) acredita que uma verdadeira Smart City é a cidade onde já vivemos, orgânicas, cheias de história e onde a vizinhança é muito mais eficaz na criação de ambientes pacíficos que um sistema universal de vigilância.

A professora de Columbia, Saskia Sassen, compartilha da ideia. Ela pensa as cidades como hackers e vê toda a base da sua existência milenar no fato de serem, como nós mesmos, adaptáveis. Pra ela, uma cidade muito fechada se torna obsoleta em pouco tempo e nossas cidades reprogramam o mundo que vivemos segundo nossas necessidades, não o contrário.

O Arquiteto, designer & urbanista da NLÉ Kunlé Adeyeme traz um pensamento parecido com o de Saskia quando analisa estruturas auto-geradas de favelas africanas e cidades europeias bem estruturadas. Para ele, ambas tem uma espécie de ordem em comum.

As soluções para as cidades foram apresentadas em frentes que diziam respeito aos ambientes físicos, ao convívio urbano, as soluções sociais e tecnológicas.

Para Charles Landry (fundador da agência Comedia), um dos grandes problemas dos ambientes urbanos é o pensamento estritamente lógico e arquitetônico, que acaba resultando em infernos relacionados aos congestionamentos, poluição e despersonalização.

Uma cidade criativa deve ser aquela que permita que pessoas comuns façam o extraordinário acontecer. E para que elas sejam assim, é necessário mais arte e “mistura”. Segundo ele, cidades são experiências sensoriais, que podem ser vividas com todos os sentidos humanos.

Mari Messias
, gerente de conteúdo da agência de pesquisa Box1824, participa do evento mundial PicNic. Foram três dias de debates, encontros e palestras com objetivo de explorar novas soluções no espírito de co-criação em criatividade, ciência, tecnologia, mídia e negócios.

 

 

 

 

 

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O Processo Criativo

Estou muito feliz porque depois de muito tempo vou conseguir fazer um dos cursos do Professor Charles Watson no Santander Cultural. Recomendo e se ainda tiver vagas, corre lá pra se inscrever! O investimento é de R$ 380,00.

O PROCESSO CRIATIVO
workshop de pensamento criativo e conceitualização
22 a 25 – setembro 2011

Curso interdisciplinar dirigido àqueles que se interessam pelo processo criativo, tais como designers, artistas, arquitetos, empresários e outros para quem a geração de novas ideias seja fundamental.

*professor
Charles Watson
professor –EAV Parque Lage – RJ

*módulo – 03
22 a 25 setembro 2011

qui e sex 18h30 – 22h30
sáb e dom 14h30 – 18h30

*inscrições
Koralle
José Bonifácio, 95
51 3226 0265

*infos
Adriana Ganzer
adrianaganzer@gmail.com 51 9106 6150
Flávio Gil
flaviogil@hotmail.com
Charles Watson
bcawats@attglobal.net

Santander Cultural
Sete de Setembro, 1028 – Centro
Porto Alegre

http://www.processocriativopoa.blogspot.com/

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XI Encontro de Teoria e História da Arquitetura

Evento que acontecerá em outubro na PUCRS:

XI Encontro de Teoria e História da Arquitetura no Rio Grande do Sul constitui-se em um evento de importância estadual principalmente que busca integrar instituições universitárias do estado, órgãos e conselhos da área da Arquitetura e Urbanismo e profissionais e interessados na área. Os temas tratados neste evento deverão contribuir para o avanço da produção científica dessas áreas de conhecimento nos cenários regional, nacional e internacional.

TEMÁTICA
Patrimônio Arquitetônico, Urbano e Ambiental

Tema 1: Patrimônio e Estado
Há muito tempo, e também no Brasil, o Estado assumiu como de sua responsabilidade e como parte das suas atividades administrativas, as ações concernentes a preservação e restauração do patrimônio arquitetônico e urbano. Ações que englobam, indistintamente, tanto os prédios públicos quanto os privados. Na instância federal, isso ocorre desde a criação do IPHAN em 1937, exemplo posteriormente seguido pela instância estadual e parte da municipal. E os resultados, mesmo que insuficientes, são inegavelmente notórios. A mesma atitude, entretanto, não ocorre no que tange ao patrimônio que se produz no presente, e que se está legando para o futuro. Fato que se constata, inclusive e com destaque, nas obras realizadas pelo próprio Estado. Pensar a responsabilidade do Estado, não apenas na preservação do patrimônio do passado, mas também no que diz respeito a  produção de um patrimônio arquitetônico culturalmente significado, faz-se hoje cada vez mais necessário.

Tema 2: Patrimônio e Movimentos Sociais
O surgimento espontâneo de movimentos sociais que se organizam em defesa do patrimônio construído é um fenômeno recente. A insurgência contra a descaracterização das formas tradicionais de vida dos bairros e contra o liberalismo com que as leis de regulamentação urbana têm permitido quando não fomentado a densificação das áreas mais valorizadas e a conseqüente verticalização dos mesmos em conformidade com os interesses dos empreendedores imobiliários se constitui num fenômeno que vem mobilizando as comunidades e fazendo surgir associações não governamentais que se unem em torno das ideias preservacionistas. É intenção desta secção dar vez e voz aos envolvidos neste movimento e àqueles que a contestam.

Tema 3: Patrimônio e Ensino
As valorações e as formulações teóricas que subsidiam o ensino da arquitetura de um patrimônio duradouro e sustentável têm um importante papel na contribuição para a continuidade e coerência dos lugares, com vistas à transmissão às gerações futuras. A presente secção deste evento busca trazer à tona questões relevantes e contemporâneas para o ensino de arquitetura vinculadas ao tema do patrimônio arquitetônico, urbano e ambiental, seja este patrimônio projetado e/ou construído, ao longo dos anos, principalmente no Rio Grande do Sul. Refletir sobre as diferentes abordagens teóricas do patrimônio arquitetônico, urbano e ambiental, assim como as estratégias de estudo da herança arquitetônica, visando a práticas de preservação integradas e projetos contemporâneos.

Primeiro dia – 19 de outubro de 2011 – quarta-feira

17:00 – 19:00: Inscrições
19:00: Abertura Oficial
19:30 – 20:30: Palestra de Abertura Arq. Mariano Arana (Montevidéu – Uruguai)
20:30: Coquetel de Abertura Museu

Segundo dia – 20 de outubro de 2011 – quinta-feira: manhã/tarde/noite

09:00 – 10:15: Apresentação de Comunicações
10:15 – 10:30: Intervalo
10:30 – 12:00: Apresentação de Comunicações
14:00 – 15:30: Palestra Patrimônio e Estado
Prof. Dr. Paulo Renato da Silveira Bicca (PUCRS)
15:30 – 16:00: Intervalo
16:00 – 17:30: Mesa Redonda – Patrimônio e Estado
Prof. Me. Flávio Kiefer (PUCRS/ULBRA)
Prof. Me. Luiz Merino Xavier (UCS)
Prof. Drª. Maria Beatriz Kother (PUCRS)

17:30 – 19:00: Palestra Patrimônio e Movimentos Sociais
Promotora Ana Maria Marchesan
20:00 – 21:30: Mesa Redonda Patrimônio e Movimentos Sociais
Carlos Moura (Bairro Moinhos de Vento – POA)
Janete Barbosa (Bairro Petrópolis – POA)
Neltair Abreu – Santiago (Bairro Cidade Baixa – POA)
Telmo Padilha Cesar (DEFENDER-Cachoeira do Sul)

Terceiro dia – 21 de outubro de 2011 – sexta-feira: manhã/tarde

09:00 – 10:15: Apresentação de Comunicações
10:15 – 10:30: Intervalo
10:30 – 12:00: Apresentação de Comunicações
14:00 – 15:30: Palestra Patrimônio e Ensino
Prof. Ms. Maturino Salvador da Luz (UniRitter/PUCRS)
15:30 – 16:00: Intervalo
16:00 – 17:30: Mesa Redonda Patrimônio e Ensino
Profª. Drª. Dóris Maria Bittencourt (UNICRUZ)
Profª. Drª. Ester Judite B. Gutierrez (UFPEL)
Prof. Dr. João Farias Rovati (UFRGS)

18:00 – 19:00: Palestra de Encerramento – Prof° Dr. Manuel Cuadra (Kassel Alemanha)
19:00: Encerramento

Quarto dia – 22 de outubro de 2011 – sábado: manhã

10:00: 12:00: Visita ao Centro Histórico de Porto Alegre
Drª. Briane Elizabeth Panitz Bicca (MONUMENTA)

INVESTIMENTO

Alunos e Diplomados PUCRS R$120,00
Estudantes R$135,00
Público Geral R$150,00

Maiores informações: http://www.pucrs.br/eventos/encontroarquitetura/?p=capa

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Entrevista com Jan Gehl

 

 

Reproduzo aqui um post da Natália Garcia, do projeto Cidades para Pessoas.

O urbanista dinamarquês Jan Gehl foi o grande inspirador do Cidades para Pessoas. Por esse motivo eu marquei a entrevista com ele dois meses antes de viajar para Copenhague, a primeira cidade visitada pelo projeto. Mas assim que cheguei lá, a secretária dele me escreveu dizendo que ele estava ocupadíssimo com novos projetos e que não conseguiria me receber, mas que outro de seus sócios falaria comigo.

Claro, fiquei super desapontada. Tentei explicar que era importantíssimo para mim falar com ele, que todo meu projeto era baseado em seu trabalho, que 285 pessoas tinham financiado o Cidades para Pessoas para que eu viesse até aqui entrevistá-lo, que estávamos agendando essa data há quatro meses, etc etc.

Funcionou. Ele topou, então, me receber hoje, desde que a entrevista durasse exatos 40 minutos. Depois eu poderia falar com Jeff Risom, urbanista que trabalha com ele há dez anos e é seu braço direito. Topei.

Acordei hoje quatro horas antes do necessário. Tomei café, revi as perguntas, arrumei minha mochila, chequei se os cartões de memória estavam vazios, as baterias das cameras carregadas, e saí.

Peguei uma das bicicletas públicas em frente ao albergue e, 13 minutos depois, estava na porta do escritório, que fica em um prédio de 70 anos. Logo na entrada, dei de cara com um daquele elevadores antigos com armação de ferro e toda a estrutura à vista. À esquerda, uma placa dourada indicava os estabelecimentos comerciais que funcionavam no edifício.

“4 etage – Gehl Architects”.

Para minha tristeza, o tal elevador estava fechado (sempre fantasiei andar em um desses). Subi as estacadas, que eram forradas de carpete e tinham um corrimão de madeira lindíssimo – mas que denunciava os 70 anos do prédio. Quatro lances depois, duas portas me separavam dos dois únicos apartamentos daquele andar. Outra placa dourada, com uma setinha apontando para a porta da direita. Toquei a campainha. Dez minutos depois me aparece a secretária do Jan Gehl de hobby, escovando os dentes.

– Hi, I’m Natália, from São Paulo.
– Yes… and I’m Signe, from Copenhagen. (risos)
– I have an interview with Mr. Gehl.
– Oh, it’s the next door.

Não só aquela não era a secretária como aquele era um apartamento residencial.

Muito bem, eu nem tinha entrado no escritório ainda e tudo o que tinha lido sobre a importância de misturar funções (morar, trabalhar, consumir, comer, se divertir) pela cidade, em vez de setorizá-la, começava a se confirmar na prática.

Toquei, agora, na porta certa e fui recebida pelo Jeff Risom. Combinamos que a entrevista começaria com ele, depois o Jan Gehl assumiria. Risom me mostrou todo o escritório, um espaço amplo, bem iluminado, com mesas enormes servidas por luminárias individuais, diversos projetos de arquitetura pendurados pelas paredes e uma biblioteca na sala central. No caminho para a cozinha, Jan Gehl passa ao me lado, falando no celular.

Lembra quando, na escola, aparecia aquele menino (ou menina) por quem vc era apaixonada (o) e vc gelava? Então, foi exatamente assim. Nesse primeiro breve contato com ele só pude constatar que o homem é cheiroso e bravo.

Gosto.

____

Eu e Jeff Risom entramos na sala de reuniões para começar a entrevista. Falamos muito sobre São Paulo, Rio de Janeiro e de que maneira cidades como Conhagen e as outras que vou visitar com o Cidades para Pessoas podem nos ensinar a melhorar.  Às 11h em ponto a maçaneta fez um barulhão e Jan Gehl entrou. Aos 73 anos, ele está de saco cheio de dar entrevistas.

– Minha querida, há muito tempo que eu não recebo jornalistas, sou um homem muito ocupado e hoje mesmo tenho uma viagem no começo da tarde. Mas vejamos como posso te ajudar…

Expliquei a ele o projeto, meus objetivos, o financiamento por crowdfunding e disse que tudo aquilo tinha sido inspirado por ele. Gehl sorriu, tirou o paletó, trouxe a cadeira poucos centímetros mais para perto de mim e começamos a conversa.

Perguntei tudo o que eu e todos vocês queríamos saber: e aí? qual o caminho? Como fazemos para mudar nossa cidade? Para conscientizar as pessoas das nossas cidades de que não adianta construir mais ruas para darem lugar a mais carros? São Paulo tem solução?

– Minha querida Natália, quando você pergunta a uma criança o que ela quer no próximo natal, ela vai te responder com uma lista de objetos que ela conhece. Uma criança nunca vai querer algo que não conheca, certo? O mesmo se dá com as cidades. As pessoas só vão exigir cidades melhores de fato quando elas souberem COMO e o QUÃO melhores as cidades podem ser. Trabalhos como o seu são importantíssimos. Faça muitos vídeos, mostre como a lógica das cidades que vai visitar é muito mais agradável, como elas respeitam a escala humana, como elas oferecem opções mais interessantes para se locomover do que apenas asfalto para os carros e as pessoas vão querer lugares como esses. Se você realmente fizer um bom trabalho, você vai ajudar muito São Paulo a melhorar.

É isso, então. Repertório. É para isso que estou aqui. É para isso que vocês investiram seu dinheiro em mim.

Conversamos por 40 minutos.

A entrevista completa foi publicada na revista Vida Simples e você pode ler aqui.

Especialista em criar cidades melhores

O arquiteto Jan Gehl, responsável por mudar a cara de copenhague, nos anos 1960, mostra que as cidades têm solução e dá a receita: pensar, em primeiro lugar, nas pessoas

Texto Natália Garcia

É clichê e piegas, mas é preciso dizer: por trás – e ao lado – de todo homem há, sim, uma grande mulher. No caso do planejador urbano dinamarquês Jan Gehl, que se formou arquiteto em 1960 na Royal Danish Academy of Fine Arts, foi a esposa psicóloga que o impediu de se tornar mais um “obcecado pela forma, sem pensar na funcionalidade”, como ele descreve a maioria dos colegas. “Ela me provocava perguntando por que nós nunca pensávamos nos aspectos humanos na hora de criar projetos para a cidade”, conta. Gehl e a esposa organizavam reuniões semanais em sua casa com outros colegas para discutir as fronteiras (e possíveis ligações) entre sociologia, psicologia, arquitetura e planejamento. Esses encontros foram o começo do que mais tarde se tornaria o assunto da vida de Jan Gehl: como criar cidades melhores para as pessoas. Em 1971 ele publicou seu primeiro livro, Life Between Buldings (“A vida entre os prédios”, em tradução livre, sem versão em português), em que se debruça sobre o comportamento das pessoas nos espaços públicos e utiliza a Strøget, a primeira rua de pedestres de Copenhague, como laboratório para mostrar que priorizar as pessoas era o melhor para criar boas cidades. A Strøget era uma importante avenida comercial e o anúncio de seu fechamento para virar um calçadão em 1962 causou reações negativas. “Não somos italianos”, diziam os jornais para argumentar que o clima gélido da Dinamarca impossibilitava uma vida ativa nos espaços públicos. “Um ano depois, todos os comerciantes reconheciam: eles estavam errados”, conta Gehl. As vendas triplicaram e esse calçadão de quase 1 quilômetro passou a ser ocupado pelos habitantes da cidade. Estudar o assunto fez com que Gehl criasse uma metodologia de planejamento que prioriza as pessoas. Seu escritório, o Gehl Architects, é o mais requisitado do mundo e já fez projetos, inclusive, para São Paulo e Rio de Janeiro.

O que significa criar uma cidade para as pessoas?Você já notou que sabemos tudo sobre o habitat ideal dos gorilas, girafas, leões, mas nada sobre o Homo sapiens? Qual o lugar ideal para essa espécie viver? Infelizmente, sabemos muito pouco. Boa parte dos profissionais que definem o futuro de uma cidade, os arquitetos, urbanistas e políticos, estão preocupados com outras coisas. Eles querem melhorar o trânsito, criar “skylines”, monumentos, pontes, mas nenhum deles tem na agenda o item “criar uma cidade melhor para as pessoas viverem”.

E qual seria o lugar ideal para o homem viver?Certamente não é uma cidade em que se precise passar três horas por dia dentro de um carro preso no congestionamento. Mas uma das coisas que descobri em todos esses anos de trabalho é que precisamos respeitar a escala humana. Em meu livro Cities for People (“Cidades para pessoas”) eu falo, por exemplo, sobre a síndrome de Brasília, uma prática repetida em várias cidades do mundo. Brasília nasceu para ser uma cidade planejada, certo? Pois bem, quando a olhamos do céu, ela é incrível, mas quando a olhamos do chão, parece que estamos em uma maquete fora de escala. É tudo grande demais, as distâncias são impossíveis de serem percorridas pelo corpo humano e os monumentos são grandes demais para apreciarmos a partir de nossa altura. Isso sem contar a falta de calçadas e ciclovias. Se você não tem um carro em Brasília, fica impossível se locomover.

A escala humana, então, é a chave para planejar cidades para pessoas?É uma das chaves. Temos que criar uma mudança de paradigma aqui. Antes de pensar em mais ruas, ciclovias, transporte público ou mesmo na escala humana, é preciso pensar: que cidade queremos? E aí, o que importa não são os elementos do planejamento urbano, mas as coisas que nos fazem viver melhor. Quando os planejadores quiserem chegar aí e não, por exemplo, ao melhor sistema de mobilidade possível, aí sim estaremos em um caminho interessante para melhorar as cidades.

O senhor fala em trânsito, problema grave no Brasil. Quais as soluções para essa questão?O congestionamento é, sem dúvida, um dos maiores problemas das grandes cidades do mundo. E a chave para resolvê-lo é entender que a demanda correta não deve ser por mais transporte público ou ciclovias ou calçadas. Deve ser por mais opções, por mais liberdade de escolha de meios de se locomover do ponto A ao ponto B. Só ciclovias ou só transporte público não resolvem, mas uma combinação dos dois com boas calçadas e vias exclusivas de pedestres começam a deixar a cidade mais interessante e a dependência que se desenvolveu do carro começa a diminuir. Mas, ainda assim, muita gente vai continuar se locomovendo de carro, por comodidade. Então, junto com o aumento de opções de locomoção, é preciso diminuir o uso dos carros, dando menos lugar a eles. Quanto mais ruas, mais carros, quanto menos ruas, menos carros. Se você oferecer infraestrutura, a sociedade vai utilizá-la. Então, tirar espaço dos carros, ou proibir que estacionem nas ruas, são algumas das formas de garantir que eles sejam menos usados, em especial em curtos trajetos. E aí, as pessoas que realmente precisem de um veículo para se locomover, seja porque a distância é longa demais, seja porque é uma emergência, terão espaço para dirigir.

Parece tão difícil e tão longe da nossa realidade…Sim, é um processo complicado. Hoje Copenhague é um exemplo mundial de uma cidade boa para se viver, mas começamos nossa mudança de paradigma 50 anos atrás. A chave para que tenhamos chegado até aqui foi dar um passo de cada vez. Não dá para, de uma hora para outra, proibir os carros de estacionarem nas ruas. Mas que tal proibir em um bairro? Ou em apenas uma avenida? E, no lugar onde os carros estacionariam, criar uma ciclovia? Esse acaba sendo um projeto piloto, as pessoas teriam tempo para se acostumar. E, quando começar a dar certo, fazemos isso em outro ponto. Pouco a pouco a população vai entendendo como a cidade pode melhorar. Eu tenho muito orgulho de dizer que moro em uma cidade que todos os dias é um pouco melhor do que era no dia anterior.

Em Copenhague, um terço das pessoas usa a bicicleta como transporte todo dia. As bicicletas devem ser pensadas como solução em cidades grandes como São Paulo?Certamente sim. A bicicleta é um meio de transporte ágil que não polui e faz as pessoas se exercitarem. A chave para integrar a bicicleta à mobilidade urbana de uma cidade muito grande é não pressupor que as pessoas vão fazer todo o trajeto pedalando. Pedalar 20 quilômetros pode ser ok para quem é jovem e tem condicionamento físico, mas certamente não é uma prática para todos. Então a bicicleta precisa estar integrada a outros meios de transporte. Bicicletários deveriam existir na maioria absoluta dos pontos de ônibus, trens e metrô, para que as pessoas possam fazer parte do trajeto pedalando e parte de metrô, por exemplo. Bicicletas de aluguel que sigam os exemplos de Paris, Barcelona e Lyon, onde as pessoas podem retirá-las e devolvê-las em diferentes pontos da cidade, são ideais. Mas é fundamental que haja infraestrutura para pedalar. Se as pessoas não se sentirem seguras, bicicleta continuará sendo um meio restrito para se transportar.

Como a população deve participar do processo da criação de cidades para pessoas?É preciso que as pessoas exijam as coisas certas. Se você, por exemplo, perguntar a uma criança o que ela quer de natal, ela vai te responder uma lista de coisas que já conhece. Uma criança nunca pediria algo de que nunca ouviu falar. O mesmo vale para as demandas das pessoas em relação às cidades. É fundamental que haja informação sobre como uma cidade pode ser melhor para que a sociedade exija as coisas certas. Enquanto exigirem mais ruas para dirigirem seus carros, as cidades vão continuar crescendo do jeito errado. Quando passarem a exigir mais liberdade de locomoção, daí o governo terá que fazer algo a respeito. Em Copenhague foi assim. Na década de 1970 a cidade estava tomada pelos carros. Com a crise do petróleo, dirigir ficou muito caro e as pessoas começaram a exigir infraestrutura para pedalarem em segurança. E as ciclovias foram, pouco a pouco, tomando o lugar dos carros.

O planejamento urbano pode fazer as pessoas mais felizes? Planejamento urbano não garante a felicidade. Mas mau planejamento urbano definitivamente impede a felicidade. A pior coisa para a felicidade das pessoas é perder tempo paradas no congestionamento. Se a cidade conseguir diminuir o tempo que você fica parado no trânsito e lhe oferecer áreas de lazer para aproveitar com seus amigos e sua família, ela lhe dará mais condições de ter uma vida melhor. O planejamento urbano é uma plataforma para as pessoas serem felizes. ..

Bons exemplos na práticaA repórter Natália Garcia criou o projeto Cidades para Pessoas. Durante um ano, ela vai percorrer 12 cidades pelo mundo – e morar por um mês em cada uma delas – para buscar ideias. O critério de escolha desses locais foi o trabalho do urbanista Jan Gehl: todos os centros urbanos visitados tiveram sua consultoria ou são considerados por ele boas cidades para viver. Todas as reportagens feitas pelo projeto serão publicadas no site cidadesparapessoas. com.br e licenciadas em Creative Commons para que sejam livremente replicadas. O projeto foi financiado por “crowdfunding” por 283 pessoas pela plataforma brasileira Catarse.me.

http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/107/conversa/especialista-criar-cidades-melhores-632294.shtml

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As Praças de Porto Alegre

Esse semestre, na FAU, estamos trabalhando com a Praça Araguaia (aquela do bar do Timbuka) , na Vila Assunção aqui Porto Alegre, para a disciplina de Introdução ao Projeto de Edificação. O objetivo final é criarmos um bar para o local. Mas, antes disso acontecer, a gente estuda tudo relacionado à praça. Só de posse dessas informações é possível realizar um projeto bem pensado. Mas o que eu queria expor aqui é a minha tristeza em relação às praças da cidade. Como estou envolvida no projeto portoalegre.cc, acabei lendo todas as causas lá adicionadas. E fiquei realmente impressionada como as pessoas estão querendo recuperar as praças de seus bairros. A população quer muito se reapropriar dos espaços públicos, utilizar os locais de convívio, tão importantes pra vida em sociedade. Mas, infelizmente, as praças estão abandonadas, mal cuidadas, sem iluminação, sujas, … Gostaria que a minha faculdade, a FAU-PUCRS, juntamente com os alunos, ajudasse de alguma forma. Todo semestre a gente vai numa praça, estuda ela, cria algo e tudo continua na mesma. Será que nos unindo conseguimos fazer essa realidade mudar??? Eu gostaria de fazer algo e se alguém quiser também, podemos juntar nossas forças! Fica aqui o convite.

 

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