Na Bienal de Veneza, a arquitetura desperta os sentidos

De Kelly Velásquez (AFP)

VENEZA — Pedras que perfumam, nuvens que se tocam com a mão, muros que se atravessam, a 12ª edição da Bienal de Arquitetura que abre neste sábado, em Veneza, rompe barreiras e desperta os sentidos.

O principal encontro da arquitetura mundial, que vai de 29 de agosto a 21 de novembro, será dirigido pela primeira vez pela arquiteta japonesa Kazuyo Sejima, ganhadora este ano do prestigiado prêmio Pritzker e tem como fio condutor o tema “As pessoas encontram a arquitetura”.

Na Bienal, o futuro torna-se menos angustiado nas propostas de um grupo de seis arquitetos brasileiros, todos nascidos depois da criação de Brasília, há 50 anos – cidade comemorada en forma especial no pavilhão do Brasil, como emblema do modernismo, “da utopia e de um mundo justo e igualitário”.

A trajetória do artífice de Brasília, o mestre centenário Oscar Niemeyer, que possui mais de 600 projetos arquitetônicos no mundo, em mais de 70 anos de carreira, é ilustrada através de maquetes, – entre elas uma original da Praça dos Três Poderes -, vídeos e projetos, inclusive os mais recentes, como o Auditório de Ravello, no sul da Itália, inaugurado este ano.

Uma enorme escultura em pedra forrada em seu interior com madeira de cedro, um espaço ao mesmo tempo “protegido e perfumado”, realizado pelos artistas chilenos Smilijan Radic e Marcela Correa, abre os magníficos e amplos espaços de exposição da Bienal na Arsenale, antiga fábrica de barcos venezianos. Nos pavilhões nacionais dos Jardins se celebra a megaexposição, que contará com a participação de 48 escritórios de arquitetura de todo o mundo em sua mostra principal.

Completarão o evento os cerca de 50 pavilhões nacionais instalados na área dos Jardins.

Entre aqueles que despertam curiosidade está o do Chile, que dedicará seu espaço à reconstrução, após os devastadores terremoto e maremoto de 27 de fevereiro de 2010.

O pavilhão chileno, cercado de polêmica desde antes de sua abertura, ficará a cargo do arquiteto Sebastián Gray e apresentará 17 propostas arquitetônicas, urbanísticas e sociais para um país sujeito a catástrofes naturais.

Sob o título “8.8”, em alusão à magnitude em escala Richter do tremor, o país sul-americano fará um convite à reflexão sobre as diferentes formas de enfrentar a destruição, o medo e a morte gerados por um evento destas proporções.

Pela primeira vez estarão representados na Bienal de Arquitetura países como Albânia, Bahrein, Irã, Malásia, Marrocos e Ruanda, com a intenção de responder à pergunta-chave do evento: chegar e sentir as pessoas.

“Quero que a Bienal, como a cidade, não seja um lugar para se exibir, mas para trocar sensações e ideias”, afirmou a esquiva Sejima, na única entrevista concedida até agora à imprensa italiana.

“Talvez vamos contar com menos projetos e maquetes, mas com mais sentimentos entre projetistas e visitantes”, acrescentou.

Além de percorrer os três mil metros quadrados da exposição, divididos em blocos, os visitantes poderão participar de vários eventos paralelos, entre eles os “Sábados da arquitetura”, com colóquios e debates com personalidades de renome, entre os quais Vittorio Gregoretti e Richard Burdett.

Uma sala especial estará dedicada ao arquiteto italiano Renzo Piano, um dos mais prolíficos das últimas décadas e que assina, entre outros, o Centro Pompidou (Beaubourg) de Paris.

Entre os convidados estarão o influente holandês Rem Koolhaas, que receberá durante a cerimônia de inauguração o Leão à Carreira 2010, bem como o americano Frank Gehry, que apresentará seu projeto para a Fundação Luma, na cidade framcesa de Arles.

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